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07/04/10
O capitalismo como estrutura de poder e como modo de sujeição dos trabalhadores apenas começou a se tornar menos cruel na Europa, com a legislação trabalhista, com o New Deal e com o chamado estado de bem-estar social.
Podemos encontrar aspectos do início da substituição do feudalismo pelo capitalismo na Baixa Idade Média, a partir do século XI, na França e Itália. Lá surgiam os burgos e alguns feudos passaram produzir para o mercado burguês.
Burgos eram fortificações para a proteção dos comerciantes, dos artesãos, de suas famílias e de seus empórios. Com o passar do tempo, os burgos cresceram e transformaram-se em cidades.
Com o ressurgimento da produção voltada para o mercado, alguns trabalhadores feudais conseguiram sair dos feudos e se instalaram nos burgos. Uns simplesmente fugiram dos feudos e outros acumularam recursos para a compra de sua própria liberdade.
Na Inglaterra, desde o século XIII, alguns senhores feudais, isto é, suseranos e vassalos, que ficaram muito mais ricos produzindo e vendendo lã para os burgos do norte da Europa, também saíram dos feudos e foram residir nos centros urbanos que estavam nascendo.
O burguês era um homem que tendia a ser livre, tanto da suserania quanto da servidão. Rodin tratou a questão na sua escultura denominada “Burgueses de Calais”. Quando os burgos cresceram e passaram a ser chamados de comunas, municípios, conselhos, repúblicas livres ou cidades, eles se tornaram politicamente independentes, isto é, cidades-estado, cada qual com seus exércitos, inclusive alguns capazes de dominar reis.
Nos fins da Idade Média, os reis não eram muito fortes e os burgueses ainda não eram muito ricos. Enquanto os reis queriam ser reis de Estados fortes, os burgueses queriam Estados fortes capazes dar proteção às atividades comerciais. Reis e burgueses se uniram e se fortaleceram.
No começo da Idade Moderna, os reis, depois de imporem sua lei, justiça, exército, moeda e burocracia sobre os senhores feudais, clero, burgueses e sobre as classes subjugadas, criaram os Impérios Coloniais sobre as Américas e regiões da África e Ásia. Pode-se dizer que foi aí que o capitalismo se tornou mundial. Essa economia mundial ficou conhecida por Mercantilismo. Esse momento foi o do capitalismo comercial.
Esses impérios coloniais, além de transformarem nativos das Américas e africanos em escravos, promoveram genocídios e etnocídios dessas populações em escalas até então inéditas.
Na Idade Moderna surgia na Europa a indústria manufatureira. A manufatura era uma pré-fábrica. Nela, apesar da existência de patrões e assalariados e da divisão técnica do trabalho, o processo produtivo ainda se utilizava de ferramentas e não de máquinas. Assim, a manufatura gerou o ambiente, a disciplina e a racionalidade da fábrica. Isto é, uma reorganização das pessoas e das instalações no ambiente de produção, pois com a divisão técnica do trabalho nascia o trabalho repetitivo, sugerindo a mecânica das máquinas. Com as máquinas, o capitalismo industrial emergiu, na Inglaterra, por volta de 1760. Nesse capitalismo, houve a generalização do trabalho assalariado, aviltando a renda dos trabalhadores.
No final do século XIX, o capitalismo europeu precisava, além de vender mercadorias, exportar capitais. Isto é, queria exportar recursos capazes de gerar lucros, como dinheiro, ferrovias, máquinas, motores e serviços técnicos. Havia uma tendência à formação de empresas monopolizadoras de uma ou outra atividade, levando à falência as pequenas empresas. O fordismo, já no século XX, onde nasceu a linha de montagem automatizada, levou à falência, por exemplo, mais de 250 fábricas de automóveis no mundo.
Entre 1850 e 1950, diante do aumento da produtividade, da produção e da estagnação do mercado consumidor europeu, a Europa invadiu a África, o Sul da Ásia e instalou o Big Stick sobre as chamadas Repúblicas de Bananas da América Latina.
Mais tarde, as lutas pela emancipação na África e Ásia e de emancipação e democratização da América Latina suscitaram reações extremamente violadoras dos direitos humanos, vilipendiadoras e sangrentas por parte da Europa, Estados Unidos e Japão. Essa emancipação ainda não foi completamente atingida e sofre alguns retrocessos. A instalação militar dos EUA na Colômbia, por exemplo, não é menos do que violação da autodeterminação dos povos da América do Sul. A declaração de Hillary Clinton, em 11 de dezembro de 2009, gera a sensação de necessidade do retorno aos estudos sobre clandestinidade de um lado e de reações ao pão, circo e polícia de outro.
O capitalismo como estrutura de poder e como modo de sujeição dos trabalhadores apenas começou a se tornar menos cruel na Europa, com a legislação trabalhista, com o New Deal e com o chamado estado de bem-estar social.
As leis trabalhistas no Brasil tiveram um alcance importante, porém muito limitado, pois não foram aplicadas no campo. Somente nos anos 1980, a previdência social se transformou em seguridade social, isto é, passou a ter a responsabilidade de cobrir toda a sociedade. Apesar disso, hoje, 2010, no Ceará, muito mais de 70% da população não têm saneamento básico, 49% estão abaixo da linha de pobreza e 37% abaixo da linha de miséria.
Por outro lado, o capitalismo desenvolveu uma tecnologia e uma ciência capaz de prolongar a vida, aliviar muitos sofrimentos e que permitiu ao planeta Terra chegar a quase sete bilhões de habitantes. Nunca tanta gente viveu tão bem, apesar dessa gente que vive tão bem constituir uma minoria.
A luta ambiental e pelos direitos humanos, portanto, deve partir da questão social e reivindica uma vida digna para estes que estão abaixo da linha de pobreza, por exemplo, no Nordeste brasileiro e no Haiti.
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